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SHE WOLF convida KARINE GUERRA

  • giuliallupo
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Ao transformar o cotidiano em território de resistência, cuidado e reconstrução, Karine Guerra constrói uma poética que nasce do corpo, da experiência e da insistência em continuar. Sua arte é gesto, é pausa, é recomeço. Um exercício contínuo de se refazer.


Esta é a primeira entrevista do SW Magazine em 2026, e começamos o ano com uma artista que fala de liberdade, maternidade, tempo e presença a partir do lugar mais honesto: a própria vivência.

Mas quem é Karine? Vamos descobrir juntas nesta entrevista.


um retrato de mulher acima de uma capa de magazine

Quando você era pequena o que queria ser quando crescesse e porque?

Artista! O que na época eu traduzia como desenhista. Acho que era a profissão que se colocava, na minha cabeça, em maior oposição às profissões que meus pais exerciam naquela época (relacionadas à contabilidade), e que não eram profissões que eles sonhavam exercer.


Sua família te apoiou na escolha de ser artista?

Mais ou menos. Eles viam com muita insegurança essa escolha. Por não conhecerem muito bem as possibilidades da profissão (nem eu sabia bem), achavam muito difícil que eu tivesse retorno financeiro.


Você teve que fazer muitos sacrifícios para chegar onde está agora? O jogo valeu a pena?

Trabalhei por 14 anos em outras áreas pra conseguir algum respaldo para tentar a carreira de artista independente. É uma carreira de muita instabilidade, mas considero ter valido a pena.


Qual é o objetivo mais importante alcançado em sua vida?

Acho que foi o momento em que consegui juntar recursos para largar o trabalho CLT e ingressar na carreira de artista.


Qual você considera a sua melhor obra / projeto?

Fiquei muito feliz com o convite do projeto Graffiterritórios ZN, por parte do SESC Santana. Foi o maior muro que já realizei com uma temática que se sintoniza ao meu trabalho autoral: pensar em exercícios de liberdade para o corpo da mulher.


Explique a sua arte em uma frase ou, melhor ainda, em uma palavra.

Se refazer.


A situação mais complexa que você já se encontrou (profissionalmente falando).

Em geral são os episódios de machismo e desvalorização do trabalho de arte (principalmente na rua).


O que o seu eu do presente diria para o seu eu do passado?

Tenta valorizar mais os pequenos esforços / pequenos começos.


Como a maternidade impactou a sua relação com o tempo e com a criação?

O impacto foi como um reset. Rs Porque precisei aprender a achar os intervalos de tempo e transformá-los em algo constante. Demorei um bom tempo para entender que esse tempo dedicado às coisas que me fazem sentido me faria uma mãe melhor. A culpa ainda aparece às vezes, mas, para que eu esteja presente e íntegra, preciso ser outras coisas que não só mãe.

 

O que mudou na sua forma de trabalhar depois que você se tornou mãe?

Acredito que procrastinava mais. Agora, como o tempo é mais enxuto, fiquei melhor em estabelecer o que é mais urgente e importante para realizar com mais assertividade.

 

Que tipo de exemplo você gostaria de deixar para seu filho?

Entre tantos outros exemplos que quero deixar, quero mostrar a ele que eu, como mulher, posso ser uma mãe presente e também me dedicar a atividades que amo. E que as atividades numa casa precisam ser divididas para que ninguém fique sobrecarregado.

 

A sua arte conversa, de alguma forma, com a experiência de ser mãe?

Sem dúvida. Ela é, por si só, um exercício de esperança, que é o mesmo sentimento que me aparece quando penso no meu filho. Meus últimos trabalhos tratam do banal, de achar importância no dia comum e, de alguma forma, reverenciar os pequenos esforços e iniciativas.


O que você aprendeu sobre si mesma desde que se tornou responsável por outra vida?

Nossa, a maternidade é o espelho mais radical que eu já confrontei. Rs E criar é aprender a confrontar esse espelho todo santo dia. Então, por ter que encará-lo tanto, eu consigo identificar e lidar melhor com as vulnerabilidades e, sobretudo, reconhecer melhor as coisas legais.


Seu trabalho tem te feito feliz?

No geral, sim. Tem me proporcionado momentos felizes e bons encontros.

 

Seu trabalho fez outras pessoas felizes?

Já recebi algumas devolutivas positivas a esse respeito. O que, em grande medida, me ajuda a continuar trabalhando.

 

Como você se reinventa nesse mundo de constante mudança?

Boa parte dessa reinvenção é estimulada pela própria cultura. Vem de experienciar trabalhos de outros artistas, não somente das artes visuais.

 

Pelo que você se sente mais grata na vida?

Pelos encontros. São muitas pessoas incríveis ao meu redor.

 

O que seria um dia perfeito para você?

Não precisa de muito. Um dia claro, pessoas queridas, cheio de risada fácil, de natureza.

 

Você tem um lema pessoal que acaba sendo a forma de você lidar com as coisas?

Se refazer.

 

O que você diria aos artistas que estão começando hoje?

Mantenham uma regularidade de estudos e busquem se manter conectados a outros artistas. Muitas oportunidades que fazem uma produção ativa vem dessa rede.


 

Instagram Artista @arte_karineguerra

Website Artista: www.karineguerra.com.br


Créditos da arte na capa: cortesia da artista.


 

 


1 comentário


mariagsm_joanadarc
há 4 dias

Maravilhosa parabéns excelente trabalho, parabéns e sucesso 👏 👏 👏 🤩

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