SHE WOLF convida PRI BARBOSA
- giuliallupo
- 13 de mar.
- 4 min de leitura
Há artistas que falam sobre técnica. Outras falam sobre mercado.
Pri Barbosa fala sobre postura.
Nesta conversa, o que atravessa as respostas não é apenas a trajetória profissional, mas uma ética pessoal muito clara: intuição, disciplina, autonomia e pequenas insurgências cotidianas.
Pri não romantiza a carreira. Ela fala de escolhas duras, de respeito próprio, de organização financeira e de independência. Ao mesmo tempo, revela delicadeza ao falar da mãe, da casa como conquista e da necessidade de saber retribuir.
Entre firmeza e sensibilidade, essa entrevista constrói um retrato de uma artista que entende que arte é trabalho, mas também é responsabilidade.
Vale ler até o fim.

Explique sua arte em uma frase ou, se preferir, em uma palavra.
Diria que me interessam pequenas insurgências cotidianas.
No que você acredita?
Eu acredito em colher o que se planta.
Você tem um lema pessoal que orienta a forma como você vive ou trabalha?
Uma coisa que eu sempre peço é “que eu saiba retribuir”, meio que já virou um lema de vida.
Como você se reinventa em um mundo em constante mudança?
Sempre me perguntando quais os meus desejos. Isso pra mim é inegociável.
O que você desaprendeu ao longo da sua trajetória?
A sempre ter a última palavra. Com o tempo entendi que tem lugares que não merecem a minha energia, então é melhor estar em paz do que estar certa.
O que mais mudou em você desde que começou sua carreira artística?
Eu comecei a acolher o inesperado, o que é difícil pra mim, porque tenho uma personalidade super metódica. Eu gosto de ter as coisas sob controle, então essa foi uma flexibilidade que trabalhei e continuo trabalhando muito, porque vi o quão incrível pode ser estar aberta pro que eu não conheço.
Quando você era criança, o que queria ser quando crescesse e por quê?
Eu sempre falei pros meus pais que queria ser ilustradora, talvez porque eles sempre me incentivaram a ler e os livros ilustrados fizeram parte da minha infância. A verdade é que eu não sabia muito bem o que isso significava, mas a vida de artista sempre fez meus olhos brilharem.
Sua família te apoiou na escolha de ser artista?
Muito. Acho que eles sentiam que não tinha muito como fugir disso, que era um desejo muito genuíno. Por mais que meus pais não tenham tido uma formação acadêmica ou acesso a museus e instituições de arte, sempre trabalharam no ramo gráfico, o que pode ter trazido uma abertura maior a ideia de ter uma filha artista.
Você teve que fazer muitos sacrifícios para chegar onde está hoje? Valeu a pena?
Não diria sacrifícios, mas fiz escolhas duras pra bancar a carreira e a vida que eu levo hoje. Não me arrependo de nenhuma delas. Mesmo com todos os desafios e inconstâncias, eu ainda posso dizer que vivo a vida que um dia foi meu sonho.
Qual foi a situação mais complexa que você já viveu profissionalmente?
As situações mais complexas são as de desrespeito, porque eu me respeito muito e nem sempre isso é bem visto. Mas minha vida profissional passou por muitas fases antes de ser artista, em todas elas tive que me manter muito firme pra não ser engolida.
Qual obra ou projeto você considera o mais importante da sua trajetória?
Posso dizer que um marco bastante importante foi ver meu trabalho no Straat Museum, em Amsterdã, um dos maiores e mais importantes museus de arte urbana mundial.
Qual foi o objetivo mais importante que você já alcançou?
Minha casa e me sentir em casa.
Seu trabalho tem te feito feliz?
Muito. Meu trabalho é ao mesmo tempo um presente e uma responsabilidade.
Seu trabalho já fez outras pessoas felizes?
Fico feliz em dizer que sim, baseado no que já me foi dito. Importante demais quando o público nos dá esse tipo de retorno, nem sempre a gente consegue saber a leitura que as pessoas têm do que produzimos.
Pelo que você se sente mais grata na vida?
Por ter tantas pessoas maravilhosas colocadas no meu caminho.
Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem você convidaria para jantar?
Com certeza minha mãe, que já não está mais entre nós.
O que seria um dia perfeito para você?
Meu dia perfeito seria poder fazer tudo no meu próprio tempo, satisfazendo as minhas vontades e bem acompanhada, sem a preocupação se tem gente me procurando.
O que o seu eu de hoje diria para o seu eu do passado?
Diria pra confiar no que o futuro reserva e continuar a ouvir minha intuição. Tenho muito orgulho de quem eu fui e tenho certeza que a Pri criança teria muito orgulho de quem nos tornamos.
Como você se imagina daqui a dez anos?
Pergunta difícil, porque eu gosto de ser surpreendia, sabia? Eu penso que quando a gente imagina o futuro, é baseado no que conhecemos hoje, mas daqui a dez anos eu vou ser muito mais experiente e espero que os aprendizados desse percurso ampliem as possibilidades do que possa acontecer.
O que você diria a quem está começando agora no mundo da arte?
Arte é trabalho, então seja disciplinada e focada. Se organize financeiramente, essa independência é fundamental pra uma vida de autonomia.
O que você acha que um artista nunca deveria fazer?
Debochar de um artista que está no início da carreira. A gente sabe quão difícil é bancar essa vida, tenho um respeito enorme por que faz essa escolha.
O que você considera ser a melhor coisa do Brasil e a pior?
As melhores coisas são o acolhimento e a comida. A pior é ver brasileiro puxando o tapete de brasileiro na gringa.
Instagram Artista: @priii_barbosa
Website Artista: priscilabarbosa.com
Créditos da arte inserida dentro da ilustração da capa: cortesia da artista.
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