SHE WOLF convida LELO
Ao longo dessas entrevistas, descobrimos grandes pessoas por trás de suas próprias obras, e a de hoje é uma daquelas que revelam uma forma singular de enxergar o mundo.
A conversa com Lelo percorre temas como propósito, gratidão, transformação, memória e a busca constante por evolução, mas sem perder a leveza de quem entende que a arte também nasce do processo, dos encontros e das experiências vividas ao longo do caminho.
Entre a paixão infantil por dinossauros, a coragem de deixar sua cidade natal para seguir um sonho e a convicção de que a arte pertence a todos, Lelo compartilha reflexões que ajudam a compreender não apenas sua trajetória, mas também a visão que sustenta seu trabalho.
Uma entrevista sobre arte, mas também sobre humanidade, aprendizado e movimento.

Quando você era criança, o que queria ser quando crescesse e por quê?
Eu queria trabalhar com paleontologia, caçando dinossauros. Quando criança eu era apaixonado por dinossauros. A ideia da existência desses bichos gigantes me fascinava.
Sua família te apoiou na escolha de ser artista?
Sim. Não só me apoiaram, mas me incentivaram. Meu processo para me dedicar ao trabalho de arte foi algo que aconteceu de forma orgânica. Meu pai e minha mãe não eram artistas, mas eram muito ligados em arte. Gostavam de desenhar e pintar.
Aprendi a desenhar com eles e sempre me levavam a exposições e outros eventos de arte. Sempre tive o apoio deles, mesmo quando comecei a fazer graffiti, que na época não era visto como algo muito legal.
O que o seu eu de hoje diria para o seu eu do passado?
Eu poderia dizer para eu fazer várias coisas de forma diferente, mas acho que aprendemos com nossos erros e acertos, então acho que mesmo o que eu fiz de errado serviu para que eu aprendesse alguma coisa.
No que você acredita?
Acredito que Arte não é só para artistas, e sim para todos. Nos faz pensar o mundo de forma diferente e nos dá novas formas de se expressar. Arte não é um dom divino, e sim uma prática, qualquer um pode ser um artista desde que tenha interesse e se dedique a isso.
Como você se imagina daqui a dez anos?
Levando meu trabalho a cada vez mais lugares, e me conectando a mais pessoas através da minha arte.
Seu trabalho tem te feito feliz?
Sim. Mesmo passando por todas as dificuldades da vida do artista autônomo, tenho o privilégio de poder viver daquilo que amo e acredito. Tenho meus momentos de crise, onde penso se é isso mesmo que eu deveria estar fazendo da minha vida, mas sei que são sentimentos passageiros. Pois é através da arte que me expresso, é o que sei fazer de melhor, é onde me sinto realizado.
Seu trabalho já fez outras pessoas felizes?
Acredito que sim. Gosto de pensar meu trabalho causa algum impacto na vida das pessoas. Seja mudando a percepção do ambiente onde essa pessoa está inserida ou passando adiante meu conhecimento e abrindo portas para que mais pessoas possam experienciar e viver a Arte de forma mais ativa. Que essas pessoas entendam que também podem se expressar através da arte
Qual foi a situação mais complexa que você já viveu profissionalmente?
Prefiro nem lembrar (risos).
Pelo que você se sente mais grato na vida?
Por estar vivo mesmo e poder fazer o que amo.
Qual foi o objetivo mais importante que você já alcançou?
Poder dizer que vivo da minha arte.
Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem você convidaria para jantar?
Podem ser duas? Meus pais, que já se foram. Saudades.
O que seria um dia perfeito para você?
Um dia em que eu conseguisse fazer tudo o que eu me propus a fazer. Meu maior defeito é não conseguir administrar meu tempo melhor. Sempre sinto que estou atrasado com alguma coisa.
Você tem um lema pessoal que orienta a forma como você vive ou trabalha?
Só vai, sem olhar pra trás. Deixa pra se preocupar na hora que der ruim.
O que você considera ser a melhor coisa do Brasil e a pior?
A melhor, é a nossa diversidade cultural. A pior, as dificuldades de “vencer” como autônomo nesse país.
Você teve que fazer muitos sacrifícios para chegar onde está hoje? Valeu a pena?
O maior sacrifício acho que foi me mudar do Rio de Janeiro, minha cidade natal, para São Paulo para me dedicar a trabalhar com arte. Ficar longe da minha família e dos meus amigos. Mas sim, valeu a pena.
Explique sua arte em uma frase ou, se preferir, em uma palavra.
Neo tropicalismo construtivista.
Qual obra ou projeto você considera o mais importante da sua trajetória?
Depois de tanto tempo trabalhando com arte, já consegui levar meu trabalho a lugares que considero de extrema importância. Já participei de exposições em instituições importantes, já pintei murais em vários países. Mas é difícil escolher qual o mais importante. Acho que a conquista mais importante é sempre a próxima.
Como você se reinventa em um mundo em constante mudança?
Tento estar sempre estudando e aprendendo alguma coisa nova que possa acrescentar ao meu trabalho. É impossível acompanhar toda a informação que nos inunda todos os dias, então tento focar no que acho que pode me aprimorar como artista e como pessoa.
O que você desaprendeu ao longo da sua trajetória?
A me preocupar tanto com o resultado final do trabalho e não apreciar o processo dele.
O que mais mudou em você desde que começou sua carreira artística?
Meu conhecimento do mundo, outras culturas e realidades. Participando de festivais, exposições e outros projetos por todo o mundo, me conecto com pessoas de realidades muito diferentes da minha. Isso me faz enxergar o mundo de uma forma mais profunda, fora do meu ambiente, fora da minha bolha. Porque essa convivência não se trata apenas de eu compartilhar meu trabalho ou conhecimento, mas de escutar, aprender e absorver novas referências por meio do contato com outros artistas e públicos. É nesse diálogo que entendo melhor como minha arte pode se conectar com diferentes contextos, contribuir de forma significativa e gerar um retorno real à sociedade.
O que você diria a quem está começando agora no mundo da arte?
Se você realmente acredita na sua arte, se dedique e vai na fé. É um caminho difícil, mas é possível. Mas se quiser ter um plano B, também não é má ideia. (risos)
O que você acha que um artista nunca deveria fazer?
Parar de buscar a evolução e achar que seu trabalho já chegou ao ponto máximo de onde pode chegar. Evolução deve ser sempre uma constante.
Se quiser acrescentar algo além das perguntas, este espaço é seu.
Agradeço pela atenção e por todos que de alguma forma apoiam o meu trabalho, me permitindo continuar nessa busca que eu mesmo ainda nem sei qual é o objetivo final. Muito obrigado.
Entrevista SW x Lelo Entrevista SW x Lelo Entrevista SW x Lelo
Instagram Artista: @lelo021
Website: www.lelo-art.com
Créditos das fotos inseridas na capa e na galeria: cortesia do Artista.
Biografia:
JOÃO LELO
Artista carioca, iniciou sua jornada artística no graffiti, no começo dos anos 2000. Desde então evoluiu como artista, incorporando novas mídias e técnicas ao seu trabalho. Hoje sua produção abrange pinturas, desenhos, objetos, esculturas e murais em grande escala. Participou de inúmeras exposições nacionais e internacionais, além de ter pintado murais em diversos países. Seu talento está presente em várias publicações especializadas em arte e cultura urbana.
Além de seus trabalhos de estúdio e arte pública, também colabora com grandes marcas, como Google, Facebook e Lacoste, realizando projetos de ambientação para espaços comerciais ou corporativos em pequena e grande escala, artes comissionadas para campanhas, produtos e projetos especiais.
Lelo representa o mundo através de formas geométricas, com um estilo autoral bem característico que é facilmente reconhecido. Usa o seu trabalho não só para enriquecer a paisagem urbana, mas também para democratizar o acesso à arte, com seus murais e esculturas criados para espaços menos favorecidos, e oficinas e projetos culturais que realiza, onde passa seu conhecimento adiante para pessoas que não tem um fácil acesso à educação artística.
Atualmente vive e trabalha em São Paulo.
%20-%20PNG.png)



Comentários