SHE WOLF convida GABRIEL RIBEIRO
Há artistas que encontram na arte uma profissão. Outros encontram nela uma forma de permanecer de pé.
Na conversa com Gabriel Ribeiro, essas duas dimensões aparecem o tempo todo. Entre a pintura, as plantas, o silêncio do ateliê e a busca por uma arte que possa ser cura, Gabriel fala também sobre as dificuldades de sobreviver profissionalmente da arte, sobre saúde mental, dinheiro, ego e sobre a necessidade de não deixar que as expectativas do mercado ditem o próprio caminho.
Sua trajetória é atravessada por referências digitais e analógicas, pela cultura japonesa, pela natureza e por experiências pessoais que encontram espaço em sua produção. Mas talvez o que mais atravesse suas respostas seja uma ideia simples e poderosa: “Serenidade na Tormenta.”
Nesta entrevista, Gabriel fala sobre o que significa continuar criando em um mercado instável, o que precisou desaprender ao longo do caminho e por que, para ele, estar vivo e poder criar a própria arte já é uma conquista.
Convidamos você a conhecer melhor o artista por trás dessas respostas.

Qual foi o objetivo mais importante que você já alcançou?
Estar vivo contrariando as estatísticas de quem tem a minha cor de pele. Criar a minha arte independente de expectativas e vontades que o tal “mercado da arte” já tentou impor a mim.
Seu trabalho tem te feito feliz?
Sobreviver de Arte (sem ser herdeiro) é algo bem complexo, fazer arte me deixa mais que feliz, pois eu tenho a convicção que arte é cura. Porém trabalhar com arte não tem me deixado feliz ultimamente.
Você teve que fazer muitos sacrifícios para chegar onde está hoje? Valeu a pena?
Todos os dias eu penso em parar, talvez amanhã isso aconteça…
Qual foi a situação mais complexa que você já viveu profissionalmente?
Quando você entende a diferença entre viver e sobreviver, que não importa o quanto você trabalhe e se dedique isso não lhe dá nenhuma garantia de estabilidade nesse mercado.
Qual obra ou projeto você considera o mais importante da sua trajetória?
Crendo na arte como cura, dou muito mais valor aos processos e percurso. O resultado final no geral nunca me agrada.
O que você desaprendeu ao longo da sua trajetória?
Que a coisa mais importante da vida é o trabalho.
O que você acha que um artista nunca deveria fazer?
Dar voz a seu ego acreditar em bajuladores.
O que você diria a quem está começando agora no mundo da arte?
Faça terapia, aprenda educação financeira, cuide da sua saúde, escolha com quem compartilha e acessa seus processos.
Pelo que você se sente mais grato na vida?
Ser uma pessoa com a possibilidade de vivenciar as coisas com outro tempo para além desse imediatismo que nos é imposto nos dias atuais. Tendo consciência que nem sempre isso é possível.
Como você se reinventa em um mundo em constante mudança?
Sofrendo! Essas mudanças muitas vezes sem nexos me cansam, por vezes não acompanho. Hoje mais maduro vejo que tá tudo bem. Qual a necessidade de acompanhar tudo? No final as transformações que mais fazem sentido nunca acontecem de uma hora para outra (se parar para pensar/observar constatar isso).
O que mais mudou em você desde que começou sua carreira artística?
Tentar a cada dia mais me afastar do ego seja meu ou alheio, sempre me pego em vigília acerca desse tema.
Explique sua arte em uma frase ou, se preferir, em uma palavra.
Serenidade na Tormenta.
No que você acredita?
Acredito nas pequenas alegrias cotidianas por menores que possam parecer.
O que seria um dia perfeito para você?
Acordar cedo com os boletos pagos, cuidar das minhas plantas, ficar sentindo o silêncio no meu ateliê antes de começar os trabalhos. Pintar sem pressa respeitando o meu trabalho.
Seu trabalho já fez outras pessoas felizes?
Recebo inúmeras mensagens de pessoas felizes que se conectam de como minha arte e de como já ajudou muitas pessoas em momentos difíceis..a grande maioria das minhas artes são extensões de sentimentos e situações muito pessoais, ver outras pessoas se conectando à sua maneira com elas me deixa grato.
Quando você era criança, o que queria ser quando crescesse e por quê?
Não tenho muito forte uma lembrança sobre isso, algumas coisas se passaram na cabeça, mas nada me marcou. Na adolescência queria trabalhar com animação.
Sua família te apoiou na escolha de ser artista?
Eu desenhava desde criança e tive apoio para desenvolver esse "lugar” mas longe de pensar que isso seria um caminho profissional possível. Minha trajetória artística foi acontecendo de uma maneira bem fluida sem muito planejamento.
O que o seu eu de hoje diria para o seu eu do passado?
Faça terapia e aprenda sobre educação financeira.
Como você se imagina daqui a dez anos?
Eu vivo um dia de cada vez esse tipo de pensamento não ocupa meu dia a dia…
O que você considera ser a melhor coisa do Brasil e a pior?
O melhor e o pior não só do Brasil, mas como do mundo são as pessoas.
Entrevista SW x Gabriel Ribeiro Entrevista SW x Gabriel Ribeiro Entrevista SW x Gabriel Ribeiro
Instagram Artista: @gabs_instintocoletivo
Créditos das fotos inseridas na capa e na galeria: cortesia do Artista.
Biografia:
Gabriel Ribeiro é artista plástico e integra técnicas digitais e analógicas, promovendo um diálogo entre estilos artísticos tradicionais e contemporâneos.
Desde muito jovem, foi introduzido ao mundo da arte, influenciado pela mãe, que pintava como hobby, e por animes e séries japonesas dos anos 1990.
Sua identificação com a cultura japonesa se aprofundou ainda mais na infância, quando sua avó o apresentou à filosofia de cunho oriental Seicho-no-ei.
Anos mais tarde, iniciou suas pesquisas artísticas inspirado pelos ensinamentos de sua avó sobre a natureza e o cultivo de ervas e flores. Essa vivência aparece como uma homenagem em seus trabalhos, juntamente com elementos da arte asiática, especialmente o ukiyo-e e o sumi-e, presentes em suas composições.
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