SHE WOLF convida TITO BERTOLUCCI, galerista e curador da Alma da Rua
- giuliallupo
- 8 de mai.
- 4 min de leitura
Nem sempre quem transforma o cenário da arte está segurando um pincel, às vezes, está segurando uma porta aberta.
Nesta edição da SHE WOLF MAGAZINE, conversamos com Tito Bertolucci, colecionador, galerista e fundador da Galeria Alma da Rua em São Paulo, um dos nomes que há mais de uma década atua na construção de espaço, mercado e legitimidade para a arte urbana no Brasil.
Sua entrevista revela uma visão pragmática, marcada por persistência, risco e por um trabalho contínuo de formação de público. Em suas respostas, aparece com clareza a dimensão menos romantizada desse campo: a dificuldade de sustentar artistas, precificar obras, conquistar credibilidade e insistir em um segmento que por muitos anos foi tratado apenas como marginalidade.
Mais do que falar sobre coleção ou mercado, Tito fala sobre PERMANÊNCIA.
E talvez seja justamente essa a palavra central desta conversa.
Vale a leitura completa.

Quando você era criança, o que imaginava que seria quando crescesse?
Imaginava que trabalharia com moda.
Na sua família, já havia alguém que trabalhava com arte ou no campo cultural?
Na parte da família da minha mãe havia alguns artistas um deles renomado (Grubert) e duas que trabalhavam com aula de pintura e a outra professora de teatro (tias avós).
Em que momento você percebeu que queria atuar nos bastidores da arte, e não necessariamente como artista?
Percebi que não tinha habilidades artísticas manuais. Já trabalhando no marketing, na área de merchandising, comecei a conhecer alguns artistas e percebi que havia um segmento ainda pouco explorado. Ao sair do marketing da Lorenzetti, fui atrás desse mercado e viajei pelo mundo conhecendo galerias. Na volta dessa viagem, já em contato com alguns artistas da área da arte surf, resolvi abrir a Galeria Alma do Mar em parceria com o festival Alma Surf.
No que você acredita quando o assunto é arte e cultura?
Que é uma divulgação constante para explicar a arte e a cultura, uma educação constante.
O que o seu eu de hoje, diria para o seu eu do início da carreira?
Que é muito difícil furar a bolha e que, mesmo entre as classes mais abonadas, são poucas as pessoas que realmente olham para a arte. Com a Street Art é mais difícil ainda, pois ela ainda é considerada por muitos como vandalismo, mas ao mesmo tempo é um trabalho muito satisfatório.
Como você define o seu papel dentro do ecossistema da arte?
Como Mecenas.
O que você busca em um artista ou projeto antes de decidir apoiar?
A atividade dele/a na Rua, ter o conceito formado, a história do movimento.
O que mais mudou na sua forma de trabalhar ao longo dos anos?
Saber identificar quem são os artistas que querem crescer no mercado junto ao trabalho da Galeria.
Que tipo de decisão você nunca toma de forma leviana?
Precificar o valor da obra do artista.
Existe algo que você precisou desaprender para seguir nesse caminho?
A mesma resposta anterior, querer precificar a obra do artista.
Qual foi a situação profissional mais complexa que você já viveu dentro do campo da arte?
É constante o meu envolvimento com o movimento da Street Art e até hoje ainda não ter sido cancelado, então acho que este é meu maior desafio profissional, me manter com credibilidade no movimento do grafite e da pixação.
Você sente que seu trabalho já impactou positivamente a trajetória de artistas ou projetos?
Com certeza.
Pelo que você se sente mais grato na sua trajetória profissional?
Conhecer o Mundo e a Realidade da Vida dos artistas.
Qual foi a conquista mais importante da sua carreira até agora?
Manter a Galeria aberta por 11 anos.
Seu trabalho te faz feliz?
Muito.
O que você acha que está em crise no mundo da arte hoje?
Inteligência Artificial.
O que você sente que está se transformando de forma positiva?
No nosso mercado a aparição de Museus voltados a Arte Urbana e que a Arte está ficando mais democrática.
Que tipo de prática você acredita que deveria deixar de existir no mercado de arte? A exploração das obras retiradas de seus territórios.
Que conselho você daria para quem deseja trabalhar com arte fora da posição de artista?
Tem que ser guerreiro porque é super difícil viver só de arte.
O que seria um dia perfeito para você?
Um bom dia de churrasco com Grafite.
Você tem algum lema pessoal que orienta suas decisões?
Que na arte é preciso ter muita paciência, já que o retorno é sempre a longo prazo.
Como a paternidade influenciou sua relação com o trabalho e com o tempo?
Dividir mais a minha maior Paixão que é o Grafite com minha Família.
Que valores você gostaria de transmitir para sua filha a partir do seu trabalho?
Que atrás da arte ela aprenda a não ter preconceito nenhum.
Como você se imagina daqui a dez anos?
Me imagino começando a colher os frutos do meu trabalho de educar o povo que Street Art também é arte Contemporânea e estaremos dentro dos Museus e Pinacoteca. Com a formação do mercado.
Se quiser acrescentar algo além das perguntas, este espaço é seu.
Gostaria de convidar todos vocês a conhecerem os 11 anos de trabalho dedicado a arte urbana da Galeria Alma da Rua, no Museu Tito Bertolucci.
Instagram Tito: @tito_bertolucci
Instagram Galeria Alma da Rua: @galeriaalmadarua
Website Galeria: www.galeriaalmadarua.com.br
📍 Rua Medeiros de Albuquerque 188, São Paulo - Beco do Batman
Créditos das fotos inseridas na capa e na galeria: cortesia de Tito Bertolucci, com projetos desenvolvidos na Galeria Alma da Rua.
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