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SHE WOLF convida CAROLINA HERSZENHUT, idealizadora da Aborda

  • giuliallupo
  • há 5 dias
  • 4 min de leitura

Nem toda trajetória dentro da arte começa com o gesto de criar. Algumas começam com o gesto de conectar.

 

Nesta edição da SHE WOLF MAGAZINE, pela primeira vez, o olhar se volta para quem atua nos bastidores, mas que, na prática, move estruturas inteiras. Carolina Herszenhut, idealizadora da Aborda, não se define como artista, mas como ponte.

 

Sua fala revela algo essencial sobre o ecossistema da arte hoje: criar é apenas uma parte. Fazer circular, sustentar, negociar, proteger e expandir também é.

 

Entre mercado, sensibilidade e posicionamento, Carolina constrói um discurso direto, sem romantizações e profundamente comprometido com o impacto real, especialmente ao escolher, há mais de uma década, trabalhar exclusivamente com mulheres em um cenário ainda marcado por desigualdades.

 

Uma entrevista que desloca o foco do “artista como indivíduo” para a arte como sistema vivo.

 

Para entender melhor esse outro lado - fundamental - vale a leitura completa.



She Wolf entrevista Carolina Herszenhut idealizadora da Aborda

Quando você era criança, o que imaginava que seria quando crescesse?

eu imaginava que iria trabalhar com algo de tecnologia rsrsInclusive eu tenho curso técnico em eletrônica hahaha


Na sua família, já havia alguém que trabalhava com arte ou no campo cultural?

Minha mãe é uma mulher extremamente habilidosa, ela borda, costura, faz tricot, crochet porém é psicanalista, mas há alguns anos ela vem investindo na sua carreira de artista visual. E a minha avó paterna era uma mulher muito culta que me levava ao teatro municipal aos 3 anos, aprendi muito com ela, me moldou.

 

Em que momento você percebeu que queria atuar nos bastidores da arte, e não necessariamente como artista?

Nunca tive intenção de ser artista, eu venho da moda, trabalhei muitos anos desenhando roupas, fazendo desfiles, organizando vendas de atacado, acompanhando o que vendia melhor nas coleções. Ou seja, já trabalhei desenhando, mas sempre tive cargos gerenciais. Acho que migrar para o que faço foi um processo natural, pois não foi de uma hora para outra, foi sendo construído aos poucos. E acredito que vender arte também é uma arte :)

 

O que o seu eu de hoje, diria para o seu eu do início da carreira?

Fica calma que tudo chega no seu tempo.

 

O que mais mudou na sua forma de trabalhar ao longo dos anos?

O tempo e a idade me deram mais paciência, mais capacidade de entender as particularidades de cada pessoa, mas acima de tudo que é o que mais reflete no que faço hoje, é que aprendi a trabalhar muito bem em grupo. E descobri que sem nenhuma demagogia, juntos somos realmente mais fortes.

 

Existe algo que você precisou desaprender para seguir nesse caminho?

Desaprender a ter certezas.

 

Como você define o seu papel dentro do ecossistema da arte?

Sou uma ponte entre quem cria e quem consome arte (sejam marcas, pessoas, instituições), estabeleço conexão de artistas a projetos que expandem suas trajetórias.

 

O que você busca em um artista ou projeto antes de decidir apoiar, produzir ou representar?

Se tem aderência com o mercado.

 

Que tipo de decisão você nunca toma de forma leviana?Acho que nenhuma, por mais que eu seja uma carioca meio pé na porta, eu penso 1000 vezes antes de qualquer coisa.

 

Você sente que seu trabalho já impactou positivamente a trajetória de artistas ou projetos?

Impacta TODOS os dias! Eu sou uma mulher de destaque na arte urbana em SP (uma das maiores do mundo), num país absurdamente misógino, onde essa misoginia atravessa todos os dias o meu trabalho, com micro e macro violências.Escolhi trabalhar só com mulheres, tenho uma produtora há 14 anos onde SÓ TRABALHEI COM MULHERES. Isso é uma mudança na vida de quem trabalha comigo e também no meio em que atuamos.

 

O que você acha que está em crise no mundo da arte hoje?

A figura do artista solitário em atelier, não tem mais espaço hoje. O mundo mudou, as redes mudaram tudo, as conexões, os trabalhos, o público. Então acho que esse artista que ficava no atelier buscando a inspiração divina não tem mais espaço.

 

O que você sente que está se transformando de forma positiva?

A possibilidade de pensarmos novos financiamentos, novos mecenas e com isso novas formas da arte ocupar o mundo. Sem precisar estar somente nos lugares cátedras da arte, cubos brancos etc.

 

Que tipo de prática você acredita que deveria deixar de existir no mercado de arte?Acho que nada precisa deixar de existir, cabe tudo se feito de forma correta e clara para todas as partes envolvidas.

 

Qual foi a conquista mais importante da sua carreira até agora?

Foram muitas, Graças a Deusa não consigo contar minhas conquistas numa mão <3

Como você se imagina daqui a dez anos?

Aposentada hahahaha

 

Que conselho você daria para quem deseja trabalhar com arte fora da posição de artista?

Saiba lidar com os egos dos artistas, pois eles são potentes, mas são frágeis e isso é a grande beleza de ser artista. Seja parceiro, é uma troca de saberes (gerencias e artísticos) e nunca seja submissa, seja leal e honesta.E não queira ser artista.

 

Seu trabalho te faz feliz?

Muito! Eu amo o que eu faço, as pessoas que trabalho e o que construímos. Principalmente pelo fato de eu fazer isso com pessoas muito generosas que também amam seus trabalhos.

 

O que seria um dia perfeito para você?Passar o dia numa praia linda ou numa cidade nova com muitos museus para conhecer.

 

Você tem algum lema pessoal que orienta suas decisões?

Perseverança; nunca guardar mágoa, mas nunca esquecer. Sou taurina com lua em escorpião hahaha

 

O que você considera ser a melhor coisa do Brasil e, também, a pior quando o assunto é cultura?

A nossa diversidade cultural é o que temos de mais potente, porém temos toda a renda concentrada em uma única cidade e com isso perdemos muito da nossa diversidade.



Instagram Carolina: @carolherszenhut

Instagram Aborda: @aborda.arte

Website Aborda: www.aborda.com.br



Créditos das fotos inseridas na capa e na galeria: cortesia de Carolina Herszenhut, com projetos desenvolvidos por artistas da Aborda.

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