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SHE WOLF convida DIEGO ALIADOS

  • giuliallupo
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Existem artistas que constroem sua trajetória exclusivamente dentro do universo da arte. E existem aqueles que constroem seu olhar a partir da vida real, do trabalho, da rotina, da cidade vivida todos os dias.

 

Diego Aliados é um desses artistas.

 

Operário há mais de 20 anos, paulistano, fotógrafo de rua por necessidade interna e não por tendência, ele transforma suas caminhadas pela cidade em imagens densas, diretas e silenciosas. Seu preto e branco não é estético por moda. É escolha. É síntese. É a tentativa de retirar o excesso para revelar o essencial.

 

Com câmeras simples, muitas vezes compactas e de poucos recursos, Diego se posiciona como um fotógrafo quase invisível. Observa, espera, registra. Seus enquadramentos revelam luzes que nascem do escuro e personagens anônimos que ganham presença. A São Paulo que ele fotografa não é postal. É crua, humana, real.

 

Como ele mesmo diz, busca “uma arte sem glamour, com uma estética simples e menos viciada”.

 

Nesta conversa, falamos sobre trabalho, rua, simplicidade, ciência e o que significa fazer arte sem precisar performar o artista.


Convido você a conhecer o olhar de Diego Aliados.


capa magazine, foto em branco e preto

Para começar, conta pra gente quem é Diego Aliados.


Sou o Diego Carvalho de Paula. Diego Aliados é um codinome, poderia ser Homem-Aranha, mas escolhi esse. Hahahah.

Sou trabalhador, operário há 20 anos. Acordo cedo, bato ponto, cumpro horário. A fotografia entrou na minha vida como uma necessidade de olhar diferente para o que já fazia parte da minha rotina. A rua sempre foi meu caminho diário. Só comecei a enxergar ela de verdade quando passei a fotografar.

 




Quando você era criança, o que queria ser quando crescesse e por quê?

Queria ser cowboy. Coisa besta de criança. Talvez porque cowboy parecia livre, vivia na estrada, não tinha patrão. Acho que no fundo sempre gostei da ideia de liberdade.

 

Sua família te apoiou na escolha de ser artista?

Apoiaram, mas com o pé no chão. Arte aqui nunca foi vista como trabalho de verdade. É mais um talento, um hobby. Então o apoio sempre veio junto com a frase: “mas não larga o emprego”.


Quando começou a fotografar?

Comecei observando a rua no caminho do trabalho. Um dia resolvi registrar. O preto e branco veio natural. Para mim, ele tira o excesso e deixa só o essencial. A rua já tem informação demais. O preto e branco organiza o caos.

 

Por que fotografia de rua?

Porque é real. Não tem cenário montado. Acontece na hora. Ou você vê, ou perde. Gosto dessa tensão. A rua não espera ninguém.

 

O que o seu eu de hoje diria para o seu eu do passado?

Continua. Se dedica mais. Não espera validação. Faz porque precisa fazer.

 

No que você acredita?

Na ciência. Na simplicidade. Na natureza. Nas artes.

Acredito que tudo isso é uma forma de entender melhor quem a gente é.

 

Como você se imagina daqui a dez anos?

Fazendo arte viva.

Ainda na rua. Ainda observando. Talvez com menos pressa.

 

O que é arte para você?

É uma forma de resistência silenciosa. Não resolve o mundo, mas muda o jeito que a gente enxerga ele.



Instagram Artista: @aliados_321



Créditos da arte na capa: cortesia da artista.




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