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Mural Acolhida: arte urbana e impacto social no Arsenal da Esperança em São Paulo

  • giuliallupo
  • 23 de abr.
  • 3 min de leitura

Um projeto curado e produzido por Giulia Lavinia Lupo, com o artista italiano Edoardo Ettorre, em parceria com o Istituto Italiano di Cultura di San Paolo


Algumas histórias não podem ficar apenas dentro dos muros. Elas precisam ser vistas, compartilhadas e, principalmente, reconhecidas.


Foi a partir desse princípio que nasceu “Acolhida”, mural realizado no Arsenal da Esperança, em São Paulo, como parte das comemorações de seus 30 anos de atuação.

O projeto foi curado e produzido por Giulia Lavinia Lupo, por meio da SHE WOLF, em parceria com o Istituto Italiano di Cultura di San Paolo, fortalecendo o diálogo cultural entre Itália e Brasil e viabilizando a vinda do artista ao país.



Instalado na Mooca, no edifício histórico que abrigou a antiga Hospedaria de Imigrantes, o Arsenal é hoje o maior centro de acolhida da cidade, recebendo diariamente cerca de 1.200 homens em situação de vulnerabilidade social. Mais do que um espaço de passagem, é um território de reconstrução, onde dignidade e recomeço fazem parte da rotina.


Inserir um projeto de arte urbana nesse contexto exigia mais do que uma intervenção estética. Exigiu um trabalho curatorial atento, capaz de conectar artista, instituição e território de forma sensível e responsável. “Acolhida” nasce justamente desse processo.


Realizado pelo artista italiano Edoardo Ettorre, o mural parte de um gesto simples e direto: um homem sentado no chão é ajudado a se levantar por outro que lhe estende a mão. A cena sintetiza o conceito de acolhimento e traduz visualmente o trabalho cotidiano do Arsenal, baseado em apoiar, erguer e reconstruir vidas.


Mural Acolhida, voltado para a linha 10-Turquesa da CPTM, entre Brás e Juventus-Mooca.

Com cerca de 26 metros de largura por 8 metros de altura, a obra foi instalada na área externa da instituição, voltada para a linha 10-Turquesa da CPTM, entre Brás e Juventus-Mooca. Sua localização amplia o alcance do projeto, sendo vista diariamente por milhares de pessoas que atravessam a cidade, muitas vezes sem conhecer o que acontece dentro daquele espaço.


O desenvolvimento do projeto envolveu um processo próximo entre artista e contexto. A curadoria acompanhou desde a construção do conceito até sua adaptação ao espaço, garantindo coerência entre linguagem artística e realidade local. Antes da pintura, houve tempo de presença, de observação e de troca.


O artista visitou o Arsenal, conheceu o espaço e entrou em contato direto com os acolhidos. O primeiro esboço, desenvolvido à distância, ganhou novos contornos a partir dessas interações, incorporando uma dimensão mais humana e real ao projeto. Projetos como esse não se constroem apenas com tinta, mas na relação.


Durante o processo do Mural Acolhida, com o artista e os acolhidos do Arsenal da Esperança

Cada decisão, do conceito à execução, passou por esse cuidado: não impor uma narrativa, mas construir uma obra legítima dentro daquele território.


“Acolhida” não é apenas um mural. É uma imagem que passa a fazer parte do cotidiano, que dialoga com quem chega, com quem permanece e também com quem passa. Ao ocupar o espaço público, a obra amplia o olhar sobre o território e sobre as histórias que ele carrega, reforçando o papel da arte urbana como ferramenta de acesso, reflexão e conexão.



Este projeto também se insere em uma pesquisa mais ampla desenvolvida por Giulia Lavinia Lupo e pela SHE WOLF, que investiga as relações entre arte, deslocamento, identidade e pertencimento, especialmente no eixo Itália–Brasil. Entre esses desdobramentos está “Gente di Mare”, que compartilha outra camada dessa investigação e que será apresentado em breve.



A inauguração do mural aconteceu no dia 21 de abril, marcando um dos momentos mais significativos desse percurso.


O encontro teve início com uma oficina de arte realizada no próprio Arsenal da Esperança, em homenagem a São Francisco de Assis, padroeiro da Itália, criando um primeiro momento de troca e aproximação. Ao longo da tarde, a cerimônia revelou oficialmente a placa do mural “Acolhida” e celebrou não apenas a obra, mas também o encontro entre diferentes trajetórias, instituições e culturas.


Estiveram presentes Padre Simone Bernardi, diretor do Arsenal, Lillo Teodoro Guarneri e Margherita Marziali, representando o Istituto Italiano di Cultura di San Paolo, além de Giulia Lavinia Lupo, curadora do projeto, e do artista Edoardo Ettorre.


A cerimônia também contou com a presença de representantes institucionais e culturais, entre eles Marianna Haddad, Fabio Porta, Paulo Fiorilo, Alessandra Almeida e Alberto Mayer.


Mais do que um evento, foi um momento de convergência, reforçando os laços entre Brasil e Itália a partir de um valor comum: o acolhimento.


Um agradecimento especial aos acolhidos que participaram do processo de construção da obra, contribuindo de forma direta para que o projeto ganhasse ainda mais sentido e verdade.


Creditos fotos: Mural: Artista Edoardo Ettorre

Processo e evento: José Luiz Altieri @altieri.foto

 
 
 

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